6. GERAL 4.9.13

1. GENTE
2. VIDA DIGITAL  A TUTELA DOS APLICATIVOS
3. ESPECIAL  A GRAVIDEZ NO PRECISA SER UM PARTO
4. PERFIL  A MENTE POR TRS DO JOGO

1. GENTE
JULIANA LINHARES. Com lvaro Leme, Guilherme Dearo, Marlia Leoni e Thas Botelho

CABEIO O.K., MAS OS QUADRIS...
Virou um tema recorrente para Walcyr Carrasco, o autor da novela Amor  Vida. Mais uma personagem da trama, a vulpina advogada Silvia, vivida por CAROL CASTRO, correr o risco de ter uma doena grave. No fim desta semana, ela vai achar um ndulo no seio. Ento dessa atriz Carrasco vai conseguir raspar o cabelo? "No. Ela no ter cncer. A ideia  alertar as mulheres para o autoexame", responde ele. Na vida real, Carol tem se autoexaminado bastante por causa da acrobtica participao na Dana dos Famosos. "Estou  base de compressa de gelo, curativos e idas ao fisioterapeuta. Meus quadris doem", diz ela, que passa o dia na TV sustentada s por uma quentinha e uma banana.

UM TRIANGOOGLE
Com um olho no Google Glass e outro, mais ligado ainda, nas confabulaes amorosas dos gnios fundadores do Vale do Silcio, os interessados no mundo virtual tiveram de reconhecer: no detectaram o que estava por trs do lanamento dos culos que navegam pela internet, h sete meses. Embora isso estivesse quase na cara, SERGEY BRIN, um dos donos do Google, 40 anos e vinte vezes bilionrio, envolveu-se na operao e nos encantos da gerente de marketing AMANDA ROSENBERG, 27. Complicaes: 1. Brin era casado e, com o namoro divulgado, teve de anunciar a separao; 2. Amanda, que quando entrou na empresa se disse to s "que almoava no banheiro", foi namorada do mineiro HUGO BARRA, 36, ento vice-presidente mundial do Google. Inclusive estiveram juntos no Brasil. Barra pediu demisso e  agora o VP de uma das maiores empresas de smartphones da China.

QUAL  A MSICA?
"Ela errou as letras, chamou msicas que a banda no estava pronta para tocar falou enrolado o tempo todo e se despediu antes do previsto. Foi vergonhoso." Essa  a descrio do show que BEBEL GILBERTO fez, no comeo do ms, em Madison, estado de Wisconsin, segundo as rigorosas palavras de Jason Hurwitz, coordenador de programao do teatro no qual aconteceu o atribulado espetculo. "A impresso  que ela estava bbada ou sob efeito de algo que no a deixou agir normalmente", diz Robert Chappell, diretor de comunicao da casa, que mandou e-mail aos mais de 500 espectadores, com desculpas e oferta de ingressos compensatrios. Rebate Bebel: "Eu no estava bbada. No palco, canto, choro, improviso e at deito no cho. A msica me deixa assim". 

O CULPADO FOI O BIGODE?
Se uma das partes do casal declara "Eu acredito no amor, mas no na fidelidade",  de presumir que ambos esto de acordo a respeito do arranjo conjugal. Portanto, deve ser outro o motivo que levou  separao entre a estonteantemente bela atriz italiana MONICA BELLUCCI, 48, e o poderosamente msculo ator francs VINCENT CASSEL, 46. H um ano, o casal se mudou para o bairro da Gvea, mas quem mais curtia o estilo de vida carioca era ele. Em julho, Monica tirou as duas filhas da escola para estrangeiros, dispensou os empregados e voltou para Roma. E onde o senhor de anel de cigano entra na histria? O bigodudo TELMAN ISMAILOV, 56, bilionrio do Azerbaijo que conheceu Monica na inaugurao do seu luxuosssimo hotel na Turquia, foi apontado como o improvvel piv da separao. 

C-c-ri... puft
Chef que  chef mata, estripa, cozinha e d aos outros para comer. Um choque para quem acredita que frangos aparecem magicamente em bandejinhas de supermercado. Mas at no ambiente de machos alfa das cozinhas profissionais existem almas sensveis, que querem dar um verniz de evento de moda a um seminrio de especialistas em culinria como o realizado na Dinamarca. "O apetite conecta o mundo exterior a nossas necessidades interiores", disseram os divulgadores. O paulistano ALEX ATALA torceu o pescoo de uma galinha, esquartejou a bichinha e fritou os pedaos. Depois, filosofou: "A morte  um elemento de vida e tambm da cozinha. Para cada peixe, carne e salada, uma vida  interrompida". 


2. VIDA DIGITAL  A TUTELA DOS APLICATIVOS
O governo brasileiro obriga os fabricantes de smartphones a usar programas escolhidos ou autorizados por seus burocratas.

     A produo brasileira de aplicativos para smartphones e tablets vai muito bem, sem que o governo ponha a mo. Entre 2011 e 2012, a quantidade de programas nacionais, como jogos e sistemas de GPS, aumentou 83%, o sexto maior crescimento no mundo e o segundo entre pases no asiticos. Os nmeros refletem o sucesso de startups brasileiras, numa indstria em que vence quem  mais criativo e consegue despertar o interesse de um nico juiz, o usurio. Apesar desse cenrio positivo, o governo resolveu intervir com uma medida protecionista e autoritria. Em portaria publicada no Dirio Oficial na semana passada, o Ministrio das Comunicaes passou a exigir nos smartphones de fabricao nacional uma cota mnima de aplicativos desenvolvidos no Brasil. No qualquer app, s os escolhidos ou aprovados pelos burocratas da pasta. 
     A exigncia se aplica aos smartphones populares, com preo inferior a 1500 reais, e est condicionada  manuteno da iseno das alquotas do PIS/Pasep e Cofins, impostos que representam quase 10% no preo final. A nova regra passa a valer em 10 de outubro e tem aplicao progressiva. Comea com a cota de cinco aplicativos indicados pelo governo e chega a cinquenta at dezembro de 2014. O prprio ministrio se encarregar de aprovar os programas dos fabricantes ou tomar a iniciativa de exigir a incluso daquele que julgue de utilidade pblica ou que seja escolhido por concurso. Esses aplicativos devem ser exibidos na tela do smartphone ou estar disponveis em uma loja exclusiva, acessvel por um cone. 
     A medida  uma jabuticaba, como se apelidam estranhezas que s existem por aqui. Vai na contramo do funcionamento do mercado digital, que se caracteriza por ser competitivo e globalizado. Nenhum pas faz algo assim. A Inglaterra, conhecida pelos bons servios pblicos digitais, como o mapa do sistema de transporte londrino, no obriga nenhum fabricante a oferec-los.  o consumidor, atrado pela qualidade do produto, que o baixa livremente. 
     "A exigncia do governo brasileiro  sem p nem cabea", disse a VEJA Jorge Monteiro, da Superfones, distribuidora de smartphones. "Se a inteno for estimular a produo nacional, seria melhor investir na capacitao da mo de obra. Se for oferecer servios pblicos digitais, no adianta impor cotas. S funcionam os programas teis, que as pessoas querem baixar." 
     A tutela estatal na produo digital cria o risco de favorecimento nos negcios e manipulao ideolgica. Empresas poderosas ou influentes no governo podem levar vantagem na escolha de aplicativos obrigatrios. A lgica  oposta  que incentiva as startups, segundo a qual, para se destacar, o mais importante  a criatividade. O Instagram, programa desenvolvido por dois jovens, um deles brasileiro, no precisou de aval estatal para conquistar 130 milhes de usurios e ser vendido, dezoito meses depois de sua criao, por 1 bilho de dlares. "S no me preocupo porque sei que essa tutela escabrosa est fadada ao vexame", disse Jorge Monteiro. "No fim, o usurio utilizar o aplicativo que quiser, no o escolhido pelo governo." 
VICTOR CAPUTO


3. ESPECIAL  A GRAVIDEZ NO PRECISA SER UM PARTO
Em livro recm-lanado, economista americana faz uma abordagem lgica e estatstica da gestao  e sugere que nem todas as regras tradicionais devem ser seguidas  risca.
ADRIANA DIAS LOPES

Naquela manh acordei bem antes de o despertador tocar. Estava um pouco grogue. Era o primeiro dia de um congresso de economia em Boston. Logo deduzi que meu estado no tinha relao com trabalho. Desconfiei que estivesse grvida, j que aguardava ansiosamente por esse momento havia alguns meses. Dito e feito: o teste caseiro deu positivo. Acordei meu marido imediatamente. Ele ficou muito feliz, mas estava ainda com muito sono e logo voltou a dormir. Como eu poderia dormir? Decidi, ento, tomar caf. E foi a que surgiu minha primeira dvida. Ser que eu poderia? Acima de quantas doses o caf faria mal ao beb? Abri meu laptop, entrei em fruns, sites de hospitais... em tudo. Alguns afirmavam veementemente que at uma dose diria no ofereceria riscos. Outros pregavam a abstinncia total ao longo dos nove meses de gestao. Lembrei ainda do cardpio que seria oferecido aos palestrantes no encerramento do congresso: peixe e vinho. Ser? Histrias estapafrdias vieram  minha cabea, como a de uma vizinha que havia bebido todos os dias e seu filho era genial. Ou, ento, a da amiga de um amigo que dizia ter feito um nico brinde na gravidez e seu filho nascera com atraso de desenvolvimento. Ali percebi que meus prximos meses seriam repletos de regras arbitrrias." 
     Essa reao, extrada de um dos captulos do recm-lanado livro da economista americana Emily Oster  Expecting Better: Why the Conventional Pregnancy Wisdom Is Wrong  and What You Really Need to Know (Esperando o Melhor: por que o Conhecimento Convencional da Gravidez Est Errado  e o que Voc Realmente Precisa Saber) , j passou pela cabea de qualquer me antes de dar  luz. A notcia de uma gravidez (desejada, bvio)  sempre motivo para regozijo. No h mulher que no se alegre com a perspectiva da nova vida que est por vir. Tambm no h mulher que, apesar de toda a felicidade, no mergulhe em um oceano de dvidas e angstias. A gestao , com certeza, o perodo da vida da mulher (qui do ser humano) que mais se pauta por regras. "No pode comer sushi para o beb no ter problemas cerebrais", "no pode engordar mais de 9 quilos durante a gestao para que a criana nasa com peso normal", "no pode pintar o cabelo", "no pode beber... No pode isso, no pode aquilo, no pode nada. Emily, de 33 anos, professora da Universidade de Chicago (e hoje me de Penelope, de 2 anos), prope razo em oposio a emoo, um olhar de pesquisadora contra reaes ilgicas. Ao longo de trs anos a partir da notcia da gestao, a economista reuniu seus questionamentos e inseguranas e os transformou numa obra que submete ao crivo das estatsticas cientficas as concepes passadas de me para filha sobre gravidez. 
     Lanado h duas semanas nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrlia, o livro foi recebido com aquele frisson que se abate sobre quem desafia com dados irrefutveis do ponto de vista lgico camadas de senso comum cuidadosamente empilhadas por muitas geraes. Deu no The New York Times: "Emily Oster desafia a sabedoria convencional de gravidez". The Daily Telegraph: "A obra  o antdoto, o desmascaramento completo dos mitos que cercam a gravidez". No livro, Emily trata das mais variadas dvidas que assolam as mulheres, desde antes de engravidar. Da idade ideal para ter um filho ao consumo de bebidas e alimentos. Do risco de aborto no incio da gestao  necessidade de armazenamento do sangue do cordo umbilical. Com raras excees, como no caso do tabagismo (o hbito interfere no desenvolvimento cerebral do feto, mesmo em doses mnimas), a economista decreta a alforria das grvidas. Emily libera o caf, o lcool, o sexo, o sushi, uns quilinhos a mais e muito mais. Ela se baseou em 328 trabalhos esmiuados  exausto.  verdade que alguns estudos se limitam  realidade americana.  o caso de um levantamento do Centro de Controle e Preveno de Doenas dos Estados Unidos (CDC), feito de 1998 a 2008 com 29 focos de listeria, uma bactria transmitida pelo consumo de alimentos, como alguns laticnios e embutidos. O trabalho elencou o principal foco de contaminao: um queijo fresco feito no Mxico. A maioria dos estudos, porm,  de abrangncia internacional e pode ser utilizada como referncia em qualquer pas. "Usei minha formao em economia para separar os bons trabalhos entre os inmeros estudos sobre a gravidez", disse Emily a VEJA (leia trechos da entrevista no quadro ao lado). Na seleo das pesquisas de referncia, a economista, no entanto, no se preocupou apenas com as estatsticas. Diante de dois ou mais estudos bem fundamentados metodologicamente sobre um mesmo assunto, mas com resultados diferentes, Emily priorizou aqueles que mais lhe convinham. Voltemos ao dilema do caf. Bebedora contumaz, ela levou para o livro as pesquisas que liberavam pelo menos trs doses dirias, apesar da existncia de outros tantos estudos com indicaes mais restritivas. "Adoro caf e sei que passaria mal sem o prazer de degustar a bebida", l-se em Expecting Better. 
     A partir dos mitos derrubados por Emily, VEJA consultou uma srie de mdicos, entre obstetras, ginecologistas, infectologistas e endocrinologistas, e elaborou uma lista com as onze duvidas mais comuns nos consultrios brasileiros (veja os quadros ao longo desta reportagem). A princpio, algumas podem parecer uma bobagem. Mas quem  mulher e j engravidou sabe o peso que elas assumem durante a gestao. Diz o mdico Soubhi Kahhale, professor da Universidade de So Paulo e coordenador cientfico do Hospital So Luiz: "Atendo mulheres esclarecidas, cultas, que chegam ao meu consultrio com a raiz dos cabelos branca por medo de pint-los". Gestantes, um aviso:  possvel, sim, pintar os cabelos. 
     Parte da explicao para essa espcie de pntano no qual parte das mulheres mergulha nos nove meses de uma gestao tem origem evolutiva. Por uma questo de sobrevivncia e preservao da espcie, a mulher instintivamente tende a acatar normas, por mais rigorosas e paradoxais que elas sejam. "A mulher se v de uma hora para outra diante do maior desafio que pode ser colocado ao ser humano: o de gestar outra vida", diz Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein, em So Paulo. O cerco em torno da gravidez se fechou ainda mais a partir da dcada de 60, com a plula anticoncepcional. Graas ao mtodo contraceptivo, as famlias passaram a ter um controle mais preciso sobre quando ter filhos e quantos. E, claro, as mulheres comearam a engravidar menos. No Brasil, a taxa de fecundidade, que era de seis filhos por mulher em 1960, caiu para dois, em 2010. As preocupaes, que antes eram divididas em diversas gestaes e filhos, agora se concentram em apenas um ou dois. E d-lhe a multiplicao de histrias, lendas e mitos que, se no fazem bem, mal no fazem. 
     A vulnerabilidade da gestante tambm tem origem em mecanismos fisiolgicos. Logo no incio da gestao, o organismo feminino  invadido por substncias que deixam a mulher mais fragilizada. A comear pelo beta HCG, o hormnio produzido pela placenta.  ele que contribui para o mal-estar do incio da gestao: enjoo, digesto lenta e constipao. At a 12 semana da gravidez, ele dobra de volume a cada dois dias, para se ter ideia. As doses de progesterona tambm vo s alturas. Fundamental para a segurana do feto ao evitar as contraes uterinas, o hormnio circulante chega a ser oito vezes mais alto em relao ao normal. Por outro lado, a progesterona reduz a capacidade de ateno da me. No, no  mito. Est a a explicao para a dificuldade de raciocnio da mulher durante a gravidez. 
     Aos 32 anos, a empresria paulistana Camila Machado  exemplo de como uma gestao pode ser mais tranquila sem regras proibitivas. Na primeira gravidez, ela se privou do caf, do sushi e das viagens de avio. Bruno nasceu forte e saudvel, mas a me sofreu um bocado. "Tive dores de cabea pela falta da cafena, deixei de conhecer lugares e relaxar e passei a gravidez inteira com desejos de peixe cru", lembra. Na segunda gestao, a histria foi outra. "Eu me policiei para ouvir o mdico e fugir das crendices", diz ela. Camila tomou caf, passou as frias no Nordeste com o marido e o filho e, ao menos duas vezes por semana, comeu sushi. No ltimo dia 24 nasceu Brbara, um beb forte, lindo e saudvel. Aqui um detalhe: Camila frequentou os restaurantes japoneses escondida do marido  ele no se convenceu de que o peixe cru no fazia mal para a filha, de tanto ler e ouvir falar. A culpa de tanta preocupao, note-se, nem sempre  s das futuras mames. 

CONTRA AS REGRAS ARBITRRIAS
Em entrevista a VEJA, a economista americana Emily Oster diz que as mulheres esto assumindo um papel cada vez mais ativo em suas gestaes. Abaixo, os principais trechos da conversa com a autora do livro Expecting Better.

Por que mulheres inteligentes e esclarecidas, ao engravidar, se submetem passivamente a crendices sobre a gestao? 
Nem todas as pessoas esto preparadas para identificar um estudo de boa qualidade. Como triar estudos bons e sites de mdicos de confiana no universo da internet? Alm disso, h tantas regras arbitrrias que vm de mdicos, avs, vizinhos... Qualquer pessoa fica confusa, insegura. Isso aconteceu comigo e foi o que me fez escrever o livro. 

Qual foi o critrio de escolha dos estudos que serviram de base para seu livro? 
Usei minha formao em economia e estatstica para tentar separar os bons estudos entre os inmeros trabalhos sobre a gravidez. Coloquei em prtica o que ensino aos meus alunos de economia na Universidade de Chicago. Digo sempre que o conceito de uma boa tomada de deciso vai muito alm dos negcios. Por isso, tive dois olhares sobre as pesquisas. Um deles, claro, foi escolher trabalhos srios, com dados corretos. S que s vezes pode haver dois ou mais estudos de primeira linha com resultados exatos, mas discordantes. E aqui entra o segundo olhar, que  o de pesar os prs e os contras desses resultados para sua vida. Por exemplo, h estudos que afirmam que o caf faz mal. Outros chegam a concluses diferentes sobre uma medida segura. Eu amo caf. Por isso, escolhi trabalhos confiveis que liberam doses razoveis da bebida. 

Voc acha que pode enfrentar resistncia dos mdicos por suas concluses? 
A maioria dos mitos vem das prprias gestantes. Mas h mdicos que dizem no a decises mais "flexveis", digamos assim, mesmo quando h evidncias cientficas que afirmam o contrrio. Muitas vezes, trata-se de uma questo de comodidade. s vezes  mais fcil negar o consumo de bebidas ou de determinado alimento, por exemplo, para que no haja o menor risco de a paciente extrapolar na quantidade recomendada ou mudar o tipo recomendado, e, dessa forma, sim, pr a gestao em risco. 

Como ento os mdicos deveriam tratar a questo? 
Alguns deles deveriam lidar mais objetivamente com a gestao em si e sua paciente. Ao perguntar a meu ginecologista, por exemplo, quanto eu poderia tomar de lcool e se seria possvel consumi-lo, ele disse que "um drinque por semana no faria mal". Mas eu tinha lido no site do Congresso Americano de Obstetras e Ginecologia que nenhuma quantidade de lcool era segura. No me satisfiz. Quis ento saber a relao de riscos de complicaes associados ao nmero de doses consumidas. Para chegar aos dados, tive de me aprofundar em trabalhos e mais trabalhos. As mulheres esto assumindo um papel cada vez mais ativo em suas gestaes e querem respostas objetivas. 

Como voc imagina uma segunda gravidez? 
Dizem que cada gravidez  uma histria. Mas tenho certeza de que a minha prxima gestao ser mais tranquila. Afinal, j terei passado por uma gravidez. Mas o principal  que estarei bem informada.


UM RISCO DESNECESSRIO
     Em dezembro do ano passado, a modelo Gisele Bndchen anunciou o nascimento de sua filha, Vivian Lake. O parto aconteceu na casa em que vive com o marido, Tom Brady, em Boston, nos Estados Unidos. No houve problema algum e a criana nasceu perfeitamente saudvel. Gisele e sua linda famlia tornaram-se ento uma espcie de smbolo da campanha a favor do parto domiciliar. "Para ser franca, parece muito improvvel que no haja um risco aumentado no parto domiciliar", escreve a economista Emily Oster, no livro Expecting Better. "As intercorrncias podem ser raras, mas existem situaes em que faz toda a diferena se voc est a dez minutos de uma sala de cirurgia ou a apenas trinta segundos." 
     Ainda que reduzidos, os riscos existem. Foi o que aconteceu com a fotgrafa australiana Caroline Lovell. Lder da campanha a favor do parto domiciliar, Caroline morreu em fevereiro de 2012, vtima de uma parada cardaca, ao dar  luz sua filha Zahra. Ela chegou a ser levada ao hospital, mas morreu no dia seguinte ao da internao. Para o beb, a probabilidade de que algo d errado  ainda maior. O risco de mortalidade infantil chega a ser trs vezes mais alto caso o parto seja realizado longe do ambiente hospitalar, segundo o Colgio Americano de Obstetras e Ginecologistas. "At 15% dos partos podem precisar de alguma interveno por causa de complicaes durante o procedimento", diz Olmpio de Moraes, vice-presidente da Federao Brasileira das Associaes de Ginecologia e Obstetrcia (Febrasgo). De cada dez mulheres que optam por ter seu beb em casa, quatro, na ltima hora, correm para o hospital  seja por medo de ter o filho sem o aparato hospitalar, seja porque a parteira se viu diante de uma dificuldade incontornvel. Em cerca de 5% dos nascimentos pode haver sofrimento fetal agudo, quando o beb para de receber o oxignio necessrio. As consequncias variam muito porque dependem da intensidade da reduo de oxignio e do tempo que ela dura. Quanto mais rpida a interveno de especialistas, menores so as probabilidades de danos neurolgicos. Em geral, os adeptos do parto domiciliar contraindicam a prtica s mulheres com gravidez considerada de risco  com pr-eclmpsia, diabetes gestacional, gravidez de gmeos ou idade superior a 35 anos. Mesmo nas condies ideais, no h como prever o surgimento de uma complicao. "S podemos dizer que um parto  de baixo risco quando ele acaba", diz Moraes. 
     At meados do sculo XIX, os partos eram geralmente feitos em casa. Naquele tempo, pouco se sabia sobre assepsia. "No h por que voltar ao passado", diz o mdico Moraes. No Brasil, estima-se que 2% das mulheres tenham seus bebs em casa. A elas, moradoras de regies muito pobres, no  dada opo de escolha.
NATALIA CUMINALE

MANUAL DOS NOVE MESES

ANTES DA GRAVIDEZ...

FERTILIDADE
SENSO COMUM Aos 35 anos, a fertilidade da mulher cai drasticamente e, em consequncia, a probabilidade de ela engravidar  muito pequena a partir dessa idade
A EXPLICAO As mulheres nascem com um estoque preestabelecido de vulos. Portanto, com o envelhecimento, as clulas reprodutivas tambm perdem o vigor
NA CONTRAMO DO SENSO
COMUM De fato, conforme os anos passam,  mais remota a chance de engravidar. Mas no existe uma idade definida  os tais 35 anos  para o incio da queda da fertilidade

A chance de uma mulher engravidar conforme a idade, a cada ms
At os 25 anos: 30%
Dos 26 aos 37 anos: 20%
Dos 38 aos 42 anos: 8%
Acima dos 42 anos: 1%
Fonte: New England Journal of Medicine

PESO
SENSO COMUM Ao engravidar, a mulher no pode estar acima do peso
A EXPLICAO Quanto maior o acmulo de tecido adiposo, maior  a probabilidade de o organismo se tornar resistente  ao da insulina, o hormnio responsvel pela entrada da glicose nas clulas. Em excesso no organismo da gestante, a glicose compromete o desenvolvimento do feto e aumenta o risco de ele nascer com sobrepeso e diabtico
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM O sobrepeso  um problema de sade em qualquer etapa da vida. Mas, se a mulher engravidar com alguns quilinhos a mais, poder ter uma gravidez absolutamente normal, caso controle a balana ao longo da gestao. A gordura adquirida pela gestante durante a gravidez tem um impacto muito maior sobre a sade do feto que a gordura que ela carregava antes de ficar grvida

Ganho de peso recomendado durante a gestao
Mulheres com peso normal podem engordar de 11 a 16 quilos.
Mulheres com sobrepeso podem engordar de 7 a 11 quilos.
Mulheres obesas podem engordar de 4 a 9 quilos.
Fonte: Instituto de Medicina dos Estados Unidos

...E DURANTE A GRAVIDEZ

CAF
SENSO COMUM O consumo da bebida aumenta o risco de aborto, e portanto deve ser zerado
A EXPLICAO A cafena leva  vasoconstrio tanto na gestante quanto no feto, o que dificulta a circulao sangunea no organismo e aumenta a probabilidade de bito fetal
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM Segundo os dados cientficos mais recentes, o risco de aborto s aumenta a partir de trs doses dirias de caf

ADOANTES
SENSO COMUM Recomenda-se abandonar qualquer tipo de adoante durante a gravidez
A EXPLICAO Eles interferem no desenvolvimento cerebral do feto
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM Os adoantes aspartame, sucralose e stevia esto liberados. Em relao  sacarina e ao ciclamato, como no existem estudos conclusivos sobre o assunto,  melhor no abusar. Os especialistas sugerem, no mximo, dois saches por dia.

OVO E PEIXE CRUS
SENSO COMUM Eliminao do consumo desses alimentos, sobretudo no incio da gravidez
A EXPLICAO Eles contm bactrias e parasitas que podem causar danos cerebrais ao feto
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM Ovo e peixe crus, quando contaminados, possuem quantidades altas de salmonela. A salmonela pode causar diarreia na me, mas no compromete o desenvolvimento fetal. Alguns tipos de peixe, contudo, devem ser evitados (crus ou cozidos) porque possuem altas quantidades de mercrio, um metal que pode danificar a formao do crebro do feto 

Tipos de peixe
BAIXO NDICE DE MERCRIO: Sardinha; Salmo (de preferncia de viveiro); Pescada; Cavalinha; Truta (de viveiro); Arenque
ALTO NDICE DE MERCRIO: Atum; Tubaro; Cao; Peixe-espada; Garoupa.

LCOOL
SENSO COMUM O consumo de lcool  proibido nos trs primeiros meses de gravidez
A EXPLICAO O lcool estimula a apoptose, uma espcie de suicdio das clulas, comprometendo sobretudo o desenvolvimento do crebro do feto
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM O lcool tem, de fato, efeito txico no crebro do beb, em qualquer perodo da gestao. No entanto, a maioria das pesquisas, at mesmo as mais conservadoras, no prega a abstinncia. Mdicos sensatos costumam liberar pequenas doses de bebida 

Nmero de doses de lcool e o risco de aborto
Menos de uma dose por semana  Risco igual ao da mulher que no bebe
De uma a duas doses por semana  23% maior em relao  mulher que no bebe
De trs a quatro doses por semana  35% maior em relao  mulher que no bebe

ATIVIDADE FSICA
SENSO COMUM No se deve praticar atividade fsica, sobretudo no incio e no fim da gravidez
A EXPLICAO A fadiga e os movimentos do corpo causados pelo exerccio poderiam levar ao aborto ou parto prematuro 
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM Durante a gestao, o corao materno tem mais dificuldade para bombear o sangue  o volume sanguneo circulante no organismo  50% maior. A atividade fsica  fundamental para a manuteno da sade da mulher e, consequentemente, do beb. As atividades mais indicadas so caminhada e hidroginstica. Corrida e musculao tambm esto liberadas, mas a mulher ter mais dificuldade. Na corrida, o problema est no fim da gestao, pelo peso da barriga, que leva  fadiga mais rapidamente. Na musculao, a mulher ter problemas com os exerccios de fora na parte superior do tronco, j que, para esse esforo, no pode contar com a participao do retoabdominal, o principal msculo do abdmen, que, por causa da gravidez, est distendido. 

Mulheres que praticam exerccios moderados (caminhada ou hidroginstica) chegam ao fim da gravidez com cerca de 600 gramas a menos do que aquelas que no se exercitam
Fonte: Expecting Better: Why the Conventional Pregnancy Wisdom Is Wrong  and What You Really Need to Know

ANALGSICOS
SENSO COMUM Os remdios contra as dores mais comuns so indicados s em casos extremos, quando o desconforto da gestante for muito grande
A EXPLICAO A placenta absorve as medicaes, o que pode interferir na sade do feto
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM Os analgsicos s so uma ameaa quando o feto j apresenta problemas ou em caso de uso excessivo pela gestante. De qualquer maneira, a mulher deve tomar remdio somente sob orientao mdica. Apenas um especialista  capaz de determinar o tipo e a dose do analgsico indicados para cada paciente

VIAGEM DE AVIO
SENSO COMUM A mulher deve evitar viagens areas, sobretudo nas primeiras semanas de gravidez
A EXPLICAO Devido  altitude, quem viaja de avio est mais exposto  radiao csmica (aquela que cruza continuamente o espao), o que poderia afetar o beb. Alm disso, a gestante corre o risco de ser acometida por trombose, formao de cogulos no sangue
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM O nico porm s viagens de avio ocorre aps a 28 semana de gestao, mas pelo risco maior de o parto acontecer durante a viagem. A exposio  radiao, de fato,  mais alta durante um voo, mas sua quantidade  nfima  insuficiente para comprometer o desenvolvimento fetal. Em relao ao perigo da trombose, ele triplica entre as grvidas. Medidas simples (veja o quadro abaixo), no entanto, podem proteg-la do problema

Problemas resolvidos
Radiao - Um voo com durao de, em mdia, duas horas faz com que a exposio  radiao atinja apenas 1% do limite mximo permitido  gestante
Trombose - Para evitar o risco, deve-se caminhar pelo corredor do avio a cada hora e tomar pelo menos um copo de gua no mesmo espao de tempo

SEXO
SENSO COMUM O casal deve evitar ter relaes sexuais no incio da gravidez
A EXPLICAO Durante o ato sexual, o pnis poderia romper o colo do tero, provocando o aborto
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM O sexo est liberado em qualquer estgio da gravidez. O pnis pode at chegar a encostar no colo do tero, mas nunca vai perfur-lo. Os encontros amorosos entre a mulher grvida e seu parceiro so recomendados, j que estimulam a liberao de endorfina e serotonina, substncias associadas s sensaes de bem-estar. Uma gestante feliz e tranquila  o primeiro passo para uma gravidez saudvel
A EXPLICAO O esperma contm prostaglandina, substncia abortiva
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM A quantidade de prostaglandina necessria para a interrupo de uma gravidez  equivalente a quinze ejaculaes em menos de uma hora 
A EXPLICAO As contraes do tero, no momento do orgasmo, podem provocar aborto
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM As contraes uterinas causadas pelo orgasmo no so intensas o suficiente para prejudicar o feto 

TINTURA DE CABELO, BATOM E PROTETOR SOLAR
SENSO COMUM Devem ser evitados durante toda a gestao
A EXPLICAO Contm substncias que afetariam o desenvolvimento fetal
NA CONTRAMO DO SENSO COMUM Apenas as tinturas com amnia e formol so proibidas. Batons com metais pesados em sua frmula devem ser evitados, pois ameaam a sade do feto. Os produtos de boa qualidade, de procedncia conhecida, esto livres dessas substncias. O protetor solar deve ser usado  no faz mal ao feto e protege a me contra a formao de manchas causadas pelo sol


4. PERFIL  A MENTE POR TRS DO JOGO
Criador de Assassin's Creed, um megassucesso que virou livro, o americano Corey May ganha a vida desenvolvendo videogames. E nas (poucas) horas vagas... joga videogames.
GABRIELE JIMENEZ

     J se passaram trs dcadas desde que o atarracado e bigodudo encanador do jogo Mrio Bros. deslanchou um segmento especialmente pujante na indstria mundial de softwares  o dos videogames, dos quais hoje depende o lazer da crianada (e de muitos adultos). Entre 2005 e 2009, perodo em que a economia dos Estados Unidos avanou mero 1,4%, a produo de games no pas, sozinha, cresceu 10,6%. No ano passado, a receita global desse mercado foi de 66 bilhes de dlares. No espanta, portanto, que o americano Corey May, de 36 anos, economista formado em Harvard a quem as portas da academia e de Wall Street se escancaravam, tenha resolvido dar as costas a tudo isso e ido criar... games. Com estrondoso sucesso, diga-se: sua srie Assassin's Creed, lanada em 2007,  um fenmeno que j contabiliza 40 milhes de jogos vendidos no mundo, 1,5 milho s no Brasil. "Meu negcio  contar histrias e construir mundos. Adoro saber que emociono as pessoas", diz. 
     A partir do videogame, May se tornou a cabea de uma espcie de franquia, que inclui um filme em fase de produo e seis livros inspirados na saga.  sobre eles que o jovem criado na Califrnia se preparava para falar neste domingo, 1, no Rio de Janeiro, como convidado da Bienal do Livro. O convite se justifica: os ttulos so um fenmeno editorial no Brasil, onde venderam 900.000 cpias (quase metade dos 2 milhes comercializados mundialmente), fazendo de Assassin's Creed um game que, em vez de afastar, aproximou os adolescentes da leitura. May no escreve os livros  "Acho um trabalho emocionalmente desgastante, at doloroso s vezes" , mas supervisiona o trabalho da equipe que cria histrias paralelas com os personagens dos jogos. Estes, sim, so obra sua  at agora, trs Assassin's Creed principais e diversos filhotes do tema original, que vem a ser uma salada  la Dan Brown, com tempero histrico e ingredientes reais e imaginrios. Os bandidos so os Templrios, inspirados nos religiosos-soldados da Idade Mdia; os mocinhos, os Assassinos, aos quais se une um barman do sculo XXI que viaja no tempo. O primeiro game se passa no tempo das Cruzadas; o segundo, na Renascena. Assassin's Creed III mergulha na Revoluo Americana  85% dos personagens so reais, como George Washington e Benjamin Franklin. "No somos totalmente fiis  histria", diz May. "Mas as tramas so analisadas por historiadores, para que nada seja ofensivo ou ridculo." 
     May  fantico por videogames desde os 4 anos, mas a me, Sarita, garante que ele nunca foi o nerd tpico, isolado do mundo: "Os amigos vinham l em casa, s que ficavam escutando msica e vendo TV enquanto ele jogava". Filho de mdico e secretria, depois de se formar em economia May emendou um mestrado em cinema na Califrnia. "Foi um choque. Achvamos que ia trabalhar em Wall Street", diz Sarita. Mas ele sempre soube onde estava seu futuro e acabou se tornando roteirista em uma produtora de games. "H dez anos, ningum queria esse emprego, porque pagava muito mal", comenta. Ele quis, e o resto  histria: convidado pela francesa Ubisoft, a terceira maior produtora de videogames no mundo, mudou-se para Montreal, no Canad, trabalhou em jogos de sucesso, como Prncipe da Prsia (que virou filme), e criou Assassin's Creed. 
     Desenvolver um game  trabalho que pode levar at quatro anos, no qual cada detalhe importa. May conta que, em Assassin's Creed II, pensou em contratar um ator italiano para dublar um personagem, mas percebeu que um americano com sotaque soaria mais familiar. "O que as pessoas consideram sotaque italiano  muito diferente da realidade. Optamos por manter a fantasia", explica. Lidar com a fantasia pode ser perturbador, ainda mais em um jogo no qual a turma do bem so os "assassinos". Marcelo Pesseghini, 13 anos, suspeito de matar pai, me, av e tia-av e depois se suicidar, em So Paulo, era f do jogo. May ouviu falar do caso. Explica que, apesar de haver violncia nas tramas ("O conflito  inerente a quase toda forma de drama"), ela no  encorajada indiscriminadamente: "O primeiro mandamento de nossos heris  no machucar inocentes. H mecanismos de punio para jogadores que matam civis". 
     Workaholic de manual, quando est desenvolvendo um game May trabalha quase sem interrupes. "At no banho eu s penso no jogo", diz. Feriados so sinnimo de trabalho: "Adoro os fins de ano, porque fico duas semanas sozinho no escritrio". Sofre quando o game fica pronto. "Passo meses confuso e vazio, como se a vida tivesse ficado sem sentido." Frias, ele dispensa: "No gosto, eu me sinto culpado". Mesmo dedicadssimo ao trabalho, tem vida social, amigos e um parceiro: h duas semanas ficou noivo de Allen Hodgson, coordenador de recursos humanos de um hospital, com quem se relaciona desde 2008. Dono de uma casa em Los Angeles (em Montreal, paga aluguel), May afirma que no  "daqueles milionrios malucos com vrias manses". Mas no reclama: "Tenho onde morar e posso comprar os videogames que quiser. Para mim, basta". 


